Livros lidos

Comer animais, Jonathan Safran Foer

Capa do livro Comer animais, de Jonathan Safran Foer

Título: Comer animais

Autora: Jonathan Safran Foer

Editora: Rocco

Páginas:  319 p.

Ano: 2011 (1.ed. 2009)

Formato da leitura: Livro em papel

Sinopse: [É grande e informativa, a coloquei no final do post]

Opinião:

[Eu não lembro bem quem me indicou esse livro, onde eu vi sobre ele; mas depois que eu li a sinopse eu fiz a única coisa que podia: comprei. Não li agora, mas fiquei ruminando se deveria ou não escrever sobre ele. Escolhas alimentares são um assunto delicado, que me traz dores de cabeça quando pessoas não informadas resolvem dar pitacos sobre o que decidi para a MINHA vida. Mas o livro vale MUITO a pena, então taí o que achei dele.]

Eu já flerto com o veganismo faz um tempo. Aqui em casa já não compramos produtos alimentícios de origem animal, e leio os rótulos evitando outros tipos de produtos também, como cosméticos, roupas, acessórios (tem uma página com documentários legais no blog, bem aqui). Eu não estou aqui para convencer ninguém a seguir meus caminhos, nem para explicar meus motivos – apenas para indicar o livro.

Jonathan começa explicando que ele também não faz campanha para nenhum lado, ele tenta se ater aos fatos. Sua família sempre comeu carne, pais, esposa; mas com o nascimento do filho ele decidiu parar e pensar nos impactos, no mundo e no corpo. Para isso, ele visita fazendas, criações, acompanha uma militante veg, fala com dono de fazendas, ativistas, comedores de carne e comedores de folhas. Seu apanhado é bem abrangente, e as informações interessantes.

Um exemplo que sempre acho válido, e ele explicita logo no começo: você comeria seu cachorro? Seu fofinho, que te lambe, e você faz carinho, e pula em você? “Claro que não, comer o Rex?? Que selvageria!!”, você pensa. Por que é absurdo? Na Índia, onde não se comem vacas, isso sim é um absurdo. Comer animais de companhia não pode, mas quem escolhemos as raças de companhia fomos nós, humanos. Nós escolhemos quem decidimos “proteger” da norma do “esse é alimento”. Como diz Foen:

A ênfase protetora não é uma lei da natureza; ela surge das histórias que contamos sobre a natureza (p.31)

Outro capítulo interessantíssimo é “O significado das palavras”. Ele explica termos como Ambientalismo, Crueldade… alguns termos ele explica diversas vezes, sob diferentes óticas, como Instinto e Comida (que conforta, que desconforta, que reconforta).

Antroponegação: A recusa de reconhecer semelhanças significativas de experiência entre humanos e outros animais, como quando meu filho me pergunta se George [o cachorro deles] vai ficar solitária ao sairmos de casa sem ela, e eu digo “George não fica solitária”. (p.55)

O capítulo “Esconde-esconde” começa comum retângulo que abrange a página dupla – e ele explicando que aquele é o tamanho típico do espaço de uma galinha poedeira.

Sim, o livro não é gentil. Não é fácil, não é digerível por quem não quer ouvir. A pessoa pode ler e falar “ah isso é tudo mentira, é claro que não é assim”; pode pensar “eu não me importo”; pode ficar condoída, mas não mudar nada; ou pode ser uma luz para abrir outras portas. Mas dificilmente dá para ficar indiferente. As descrições muito gráficas (especialmente para quem, como eu, já viu diversos documentários sobre e já tem a imagem mental da situação) e o tom relativamente neutro que ele tenta manter, doem.

Tá pensando sobre tudo o que tem visto pelas mídias relacionado ao vegetarianismo e veganismo? Leia esse livro. Tem preconceito contra vegetarianos, acha que são um bando de chatos que não sabem curtir um bacon? Leia esse livro também.

Sinopse: Em seu primeiro livro de não ficção, Comer animais, Jonathan Safran Foer, autor do premiado Tudo se ilumina, publicado pela Rocco, mergulha no mundo da chamada agricultura industrial nos Estados Unidos – a criação intensiva de aves, porcos e bois –, assim como na pesca em larga escala e suas implicações para o meio ambiente. Após três anos de pesquisas, o resultado é um panorama assustador. Para que, levando em conta a inflação, a proteína animal custe hoje mais barato do que em qualquer outro momento da história americana, animais são submetidos a maus-tratos e abatidos para o consumo deformados e doentes; há pouco ou nenhum escrutínio público e supervisão eficiente por parte das autoridades sanitárias; rios e cursos d’água subterrâneos são poluídos por excrementos e dejetos da produção, com os custos, no sentido mais amplo da palavra, repassados à sociedade; e os ecossistemas do planeta correm risco de colapso em um futuro não tão distante.

Vegetariano esporádico, Safran Foer começou a pensar mais seriamente em suas opções alimentares quando seu filho mais velho nasceu. A preocupação com a origem da carne e a forma como é processada o levou a investigar a indústria alimentícia e, apoiado em estatísticas do governo americano e em fontes acadêmicas e industriais, ele teve a oportunidade de ouvir insiders do negócio, cientistas, membros de entidades defensoras dos direitos dos animais, chegando até mesmo a invadir uma granja e a testemunhar as terríveis condições do local. Esse apanhado de dados é de arrepiar o mais devoto carnívoro: a indústria de carne ocupa cerca de 1/3 das terras do planeta; o setor pecuarista é responsável, globalmente, por 18% das emissões de gás estufa; e um só método de pesca, o feito com espinhéis, mata 4,5 milhões de animais anualmente, incluindo 3,3 milhões de tubarões, 60 mil tartarugas marinhas e 20 mil golfinhos e baleias. Além disso, a agricultura animal usa, a cada ano, 756 milhões de toneladas de grãos e cereais para alimentar aves, porcos e gado bovino, bem mais do que o necessário para alimentar o 1,4 bilhão de seres humanos que vivem em extrema pobreza, cenário que tende a se agravar com o avanço do consumo dos variados tipos de carne em países emergentes como a China e a Índia.

Sem esquecer a importância que o ato de comer representa nas mais diversas culturas, pois é à mesa, com suas memórias e histórias, que, desde sempre, se forja a fraternidade, Safran Foer propõe um debate ético sobre o consumo alimentar dos animais. Ele defende o vegetarianismo como uma opção mais sensata de agricultura animal e um onivorismo mais honrado, que traga benefícios para o meio ambiente. O escritor também advoga um retorno ao antigos métodos de criação, menos traumatizantes para os bichos e para os ecossistemas, a imagem da fazenda bucólica tão associada aos valores americanos e que, hoje, representa apenas 1% de toda a produção nos Estados Unidos. Em última análise, Safran Foer pede aos leitores que ponderem sobre a decisão moral de comer outro ser vivo e que, se necessário fazê-lo, lutem por mudanças que permitam aos animais serem tratados com compaixão e dignidade, de forma que mesmo o abate seja feito de maneira que provoque o mínimo de sofrimento possível a aves, porcos e bois.

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