biblioteconomia

Concursos, biblioteconomia e EU

Então.

Consegui minha colaboração (e já tô articulando a transferência definitiva!) aqui para Curitiba – ou seja, não estou mais lotada na UFRJ, trabalho em uma universidade federal daqui. Estou toda alegre, organizando meu início na nova instituição – que achei muito simpática por sinal, semana que vem tem post e fotos sobre ela

“E aí, qual vai ser o concurso que você vai prestar agora? Já viu o MPU?”

Eu parei por dois segundos para pensar sobre, e respondi: Eu não pretendo prestar mais nenhum, ao menos por hora.

O que se seguiu foi uma cara de incredulidade, frases como “Mas você está desperdiçando seu talento!” e “Mas você pode ganhar mais!” e ainda “Aproveita que você não tem filhos pra estudar para os concursos”.

Então (de novo).

Eu entendo quem começa prestando concursos com uma meta bem definida, e no caminho vai passando por outros, vai galgando os cargos, especialmente na área de direito, que são MUITOS níveis de cargos até os mais elevados – magistraturas e etc. Eu entendo quem passa primeiro em um concurso de nível médio, e depois tenta um de nível superior. Quem passa para outra área e quer ir para a sua, quem quer trocar de área, de autarquia federativa (municipal para estadual, para federal). Eu entendo quem simplesmente quer se provar, quer fazer outro concurso para trabalhar em outro lugar porque cansou, ou porque está insuportável onde está.

Mas alguns pensamentos, que já estavam na cabeça faz tempo, tomaram forma mais definida depois dessa conversa

– Conheço concurseiros que procuram salário. Absolutamente compreensível, vem alguém e abana um salário de 10 mil sob seu nariz, e você fica como? Bibliotecário do Senado, 18 mil. Vai abrir esse ano MPU e AGU, com vagas para bibliotecário, ótimos salários. Peguei o edital, olhei, pensei… eu NUNCA quis trabalhar com essa área; não me atrai nem um pouco. O salário atrai, o emprego não. E se eu ganhasse realmente mal, ia ficar ainda mais tentada. Mas eu NÃO QUERO. Não quero ganhar esse tanto para trabalhar numa coisa que não tô afim. Muitas pessoas não entendem, comentam que “emprego é pra dar dinheiro”, e eu concordo! Mas se o meu pode ser uma fonte mínima de alegria, eu prefiro

– Eu não falei que quero estagnar, sentar na minha mesa, abrir a calça e nunca mais evoluir; pelo contrário, estar onde estou, com o mínimo de estabilidade, me possibilita focar no meu desenvolvimento: virá um doutorado, a outra graduação… Poder me especializar em uma área, fazer projetos de médio/longo prazo – e vê-los em processo, acompanhá-los, modificar o necessário, colher os frutos do trabalho! Eu não querer prestar outro concurso não significa que não quero crescer profissionalmente. Mas qual é sua definição de crescimento? A minha é bem específica, e se aplica somente a mim.

– Eu sinceramente cansei de ficar debruçada nos livros. Não me entendam mal, ler e estudar são duas fontes inesgotáveis de prazer para mim; mas prova de concurso é uma coisa meio besta em relação ao desenvolvimento profissional, muitas vezes.

Eu explico: provas de concurso refletem seu conhecimento técnico sobre o assunto – ou sua capacidade de fazer boas provas. Porque se todos que passam em concurso fossem realmente os melhores profissionais, não teríamos tantos problemas em atendimentos, funcionamento de órgãos e etc, não (vai dizer que você nunca ficou puto com aquele funcionário mau-humorado do INSS que te olha como se fosse titica e não tem cara de que quer te atender)? Conheço ótimos profissionais concursados. Conheço ótimos fazedores de prova e péssimos profissionais. Conheço gente que devia saber tudo da área, de tanto que estudou para certas provas, mas que não consegue colocar em prática o que viu em anos de teoria.

No momento, eu não quero me preocupar em estudar para outro concurso, em usar todo meu tempo livre para rever matéria, me preocupar com banca… Eu quero namorar meu marido, me preocupar em ser uma ótima profissional na minha universidade, vendo a necessidade do meu público e tentando supri-la. E “só” (como se isso fosse pouco).

– Eu estou satisfeita onde eu tô, e isso até dói no ouvido de algumas pessoas. Mas eu realmente estou satisfeita. Melhor do que isso, só trabalhando em biblioteca pública, ou em alguma biblioteca menor, onde meus serviços seriam realmente úteis. Mas, por hora, eu estou bem! Eu gosto de ser bibliotecária de universidade, gosto do trabalho que me foi proposto fazer, gosto da instituição. E isso para mim é suficiente (juro!). E, quando não for mais, aí sim, eu penso em um concurso, eu cato um código de vagas em outro lugar, vou vender miçanga na praia sei lá.

A verdade é que existem diversos trabalhos para um bibliotecário dentro das bibliotecas – e a maioria pode ser acessado apenas mudando de função na instituição, sem precisar trocar de empresa. É claro que existem especificidades: ser bibliotecário de instituto de pesquisa não é o mesmo que ser da Biblioteca Nacional, ou ser bibliotecário de universidade, de biblioteca pública. Muda o tipo de informação, o público, as necessidades informacionais, muda tudo; as pessoas podem ser mais ou menos simpáticas, podem te dar mais ou menos no saco – mas isso em qualquer empresa, né? pública ou privada.

Eu sou bibliotecária de biblioteca universitária. E para mim isso é ótimo.

Tendo isso tudo em mente, agora quando alguém me pergunta “E aí, qual concurso você vai prestar agora?”, eu encho a boca e respondo: NENHUM!! 😀

Aos que ainda trilham o difícil caminho da aprovação: boa sorte!

Aos que já estão satisfeitos com o cargo, digo: tamo junto!

Aos que estão no meio do caminho, digo: não parem! Não parem até acharem o oásis de vocês. Eu tô no meu 😉

PS. necessário: meu texto não é uma crítica aos milhares de concurseiros que almejam uma vida melhor, um cargo melhor, uma posição diferente. Não critique sem entender, e lembre-se que essas ideias são MINHAS, sobre o que é melhor para MINHA vida (o nome disso é opinião, sabe?).

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2 pensamentos sobre “Concursos, biblioteconomia e EU

  1. Concordo completamente com você! Especificamente complicada a questão de as pessoas quererem achar que o melhor é onde tem maior salário… tenho exemplos disso na família. Não se importam nem de jogar a saúde no lixo contanto que tenham cada vez mais dinheiro. Triste. Estou contigo na tua opinião e não abro!
    Beijos!

    Curtir

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