biblioteconomia

Dia do Bibliotecário, 2017: uma breve reflexão sobre meu estado atual

Êeee, e tá chegando de novo. Dia 12 de março, o dia em que no Brasil comemoramos o Dia do Bibliotecário; é o dia do nascimento de Manuel Bastos Tigre, considerado o primeiro bibliotecário concursado do país.

PS. Só eu acho muito significativo que o dia do bibliotecário seja ligada ao funcionalismo público? Sintoma inerente da nossa área? É quase o pessoal que eu conheço que “faz direito para prestar concurso”. Muita gente que eu conheço faz/fez Biblio pelo mesmo motivo.

Esse é meu primeiro Dia do Bibliotecário como funcionária pública. E eu realmente gosto muito da biblioteca em que estou. A sensação que sempre tive de trabalhar em biblioteca pública é a de ajudar, através do acesso à informação gratuita, àquela parcela da população que pode não ter dinheiro/condições de conseguir ajuda informacional de outras formas, de outras fontes. Ajudar aos que nem conseguem exprimir suas necessidades informacionais, pois nunca receberam ajuda/treinamentos para isso. Tudo bem que estou numa biblioteca universitária, e não numa pública (onde é mais comum ver esse tipo de postura dos frequentadores), mas é um público de origens variadas, heterogêneo.

Eu demorei muito para me formar (tem uma TAG aqui no blog, a #vidaprofissional, que tem tooooda essa história longa, aos que se interessarem por drama), mas tenho certeza que gosto do que faço. Muitas vezes não gosto das pessoas que encontro pelo caminho, pelos “quadrados colocando triângulos em círculos”; pelos que mantém o cargo como apêndice e não têm paixão ou vontade mínima de ajudar os usuários (mas é um direito deles de terem a postura que quiserem no mundo, certo?). Mas às vezes aparecem os que valem a pena, os que ainda tem fôlego para uma luta, e ainda os que militam silenciosamente pelo crescimento da área, pela evolução da biblioteca.

Hoje faço outra graduação (História), mas não pretendo abandonar minhas bibliotecas. Não faço outro curso com o intento de mudar de profissão – é só por diversão mesmo. Pode ser um complemento, outra área de pesquisa. Pode ser que eu venha a dar aulas, um dia, quem sabe. Mas, no médio prazo, as bibliotecas ainda são meu norte e meu forte.

Mas (sempre tem um “mas…”)…

Tem uma pessoa que já me segue no Insta faz tempo, e esses dias ela comentou: “Você nunca mais postou fotos da biblioteca em que trabalha, e quando você tava na UP, postava sempre”. E ela tem razão. Percebi que não tem mais fotos do panorama no meu feed, que eu não trato mais a biblioteca como “minha”. E isso é triste. Agora que ela é pública, mantida pelo dinheiro do povo, que minha sensação de pertencimento devia ser maior… ela sumiu.

Estou na UFRJ desde o ano passado, numa biblioteca grande, custosa (manter livros da área de saúde é um processo caro, é um acervo MUITO caro) e com muitos funcionários. Saí da privada, onde éramos 6 bibliotecárias lidando com 8 bibliotecas, e só a Central tinha 8 andares, para a realidade de 16 bibliotecárias em uma biblioteca só.

Foto da área de circulação da Biblioteca do CCS UFRJ

Minha biblioteca, Hoje.

Devia ser bom, né? Mais gente trabalhando, mais pessoas fazendo. Pela lógica, a biblioteca devia estar um brinco! Mas não é bem assim.

Aqui a biblioteca é mais compartimentada, as pessoas não têm a sensação do todo. Os setores são muito divididos. Quando eu trabalhava tendo que olhar para todos os problemas, de todos os setores, e organizar e gerir, e ir ajustando para que todos os espaços funcionassem… eu olhava e via “a biblioteca”, e gostava “da biblioteca”. Hoje eu vejo o meu setor. Não tenho ideia, muitas vezes, de como estão lidando com meu trabalho lá fora. Porque é difícil de observar, e perguntar no setor ao lado é quase como tentar entrar num bunker. É meio que um bairrismo.

Sei que não é assim em todos os lugares. Tento vencer a resistência das pessoas, às vezes meio que na porrada, na maioria das vezes com jeitinho. E tem dias que consigo. Mas é direito delas lidar com seu trabalho como lhes dá na telha, certo? Fico entre sair correndo para as montanhas e parar e encarar a besta-fera. Entre ficar feliz com minha profissão pelo que eu faço, ou cair na leve indiferença que assola meus colegas de trabalho, ou no bairrismo com seus setores (muuuitas vezes em detrimento do bom andamento da biblioteca como um todo).

Ok, chega de choramingação. A gente faz o que pode, como pode, e como a gente aprende a lidar.

Falei esse monte de blablá para dizer que, nesse Dia do Bibliotecário eu não me sinto muito bibliotecária. Não me sinto muito “na” biblioteca. E que eu espero que no ano que vem eu tenha aprendido a lidar com isso (mesmo que minha parte pessimista diga que o texto vai ser meio parecido todo ano).

E, aos que estão fazendo o curso agora, não desistam, nem desanimem, nem diante de um texto desse. Há tantas realidades bibliotecárias quanto há bibliotecas no país (ou seja, há muitas, mas deveriam haver muuuuitas mais, rsrsrs).

Feliz nosso dia aos que são bibliotecários; e se você não é, mas frequenta bibliotecas (se você chegou num blog sobre livros e leituras, isso é possível!), não esqueça de dar um alô pro seu bibliotecário. Ele vai ficar todo bobo, acredite 😀

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2 pensamentos sobre “Dia do Bibliotecário, 2017: uma breve reflexão sobre meu estado atual

  1. Poxa! Triste ver essa situação em bibliotecas, mas entendo. É um ambiente muito grande, muitos setores, muitas pessoas, infelizmente acaba acontecendo isso.
    Hoje trabalho em uma biblioteca universitária e estamos somente em duas pessoas SOS çocorrr, mas por enquanto dou conta de tudo. Me sinto feliz (e bastante estressada rs).

    Curtido por 1 pessoa

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