Livros lidos

Azul é a cor mais quente, Julie Maroh

Capa da HQ Azul é a cor mais quente, de Julie MarohTítulo: Azul é a cor mais quente (Le bleu est une couleur chaude)

Autora: Julie Maroh

Editora: Martins Fontes

Páginas:  160 p.

Ano: 2013 (1ª edição 2010)

Formato da leitura: Livro físico

Sinopse: Clementine é uma jovem de 15 anos que descobre o amor ao conhecer Emma, uma garota de cabelos azuis. Através de textos do diário de Clementine, o leitor acompanha o primeiro encontro das duas e caminha entre as descobertas, tristezas e maravilhas que essa relação pode trazer. Em tempos de luta por direitos e de novas questões políticas, Azul é a cor mais quente surge para mostrar o lado poético e universal do amor, sem apontar regras ou gêneros.

Opinião: Eu lembro quando o filme foi lançado, que fizeram um escarcéu sobre cenas de sexo e nudez. Falaram que as cenas eram desnecessárias, o filme passou em pouquíssimos cinemas (eu morava no RJ ainda, lembro que só passou nos “Cine Estação” da vida – ao menos num primeiro momento). Não assisti. Não bateu a vontade. Haviam me dito que a história era boa, mas.. nhé, sabe? Deixei pra lá.

Agora no finalziiiinho de 2016 a Martins Fontes fez uma superpromoção na livraria do Centro (RJ, again), com todos os livros da editora com pelo menos 50%. Aí ele tava lá, me olhando no meio das estantes (detalhe: eu não sabia que era uma HQ, achei que era livro!). Folheando, os traços me chamaram muita atenção. Traços bonitos, os quadros bem demarcados (às vezes eu gosto 🙂 ) fazendo parte da montagem e da apresentação. Levei. E esqueci dele! Voltei pra Curitiba, passei natal, ano novo… e quando retornei aqui, ao trabalho, o livro tava me esperando!

A história é contada principalmente pelo ponto de vista de Clémentine. 15 anos, ainda naquela fase saindo da infância, primeiro namorico… ela fica meio impressionada em perceber que não tem interesse no rapazinho com quem sai, mas não consegue esquecer a menina de cabelos azuis que passou por ela pela rua. Impressionada não é bem a palavra. Culpada? Sim, acho que culpada. A mocinha de cabelos coloridos, Emma, já é mais velha, resolvida com sua opção, faz faculdade…

Enfim, a história é sobre como Clémentine e Emma se conheceram, e sobre o relacionamento delas. Altos e baixos. Brigas internas. Brigas externas. O desfecho (maravilhoso, diga-se). Empatizei com a história, não consegui largar antes de terminar. A gente se coloca no lugar da Clém, num momento tão delicado da vida, onde estamos construindo alguns alicerces: é uma onda passageira? uma opção para a vida? ela se apaixonou pelo gênero ou pela pessoa? como lidar com isso? como lidar com os pais conservadores? e com.. bem, e com o mundo, né?

Azul é a cor mais quente e Amar e ser livre, na escrivaninha

Uma história bastante delicada, apaixonada. Os traços são lindos, os quadros que mostram a visão de Clém sobre Emma (como ela a vê) são tão bonitos que você consegue imaginar o sentimento de paixão que ela devia estar sentindo ao ver seu objeto de desejo e carinho. E bastante realista: algumas pessoas (devo dizer, infelizmente, a maioria) ainda não estão preparadas para lidar com o amor que não seja heteronormativo.

Recomendo, muitíssimo. A história se lê rápido, mas tem impacto. Não esqueça de prestar atenção aos desenhos, à construção dos quadros no espaço da folha: esse cenário diz muito, mesmo onde não há balõezinhos de diálogo 😉

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3 pensamentos sobre “Azul é a cor mais quente, Julie Maroh

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