Livros lidos

Submissão, Michel Houellebecq- e não, não é Chick Lit

Capa Submissao_Alfaguara para novo padrao.inddTítulo: Submissão

Autor: Michael Houellebecq

Editora: Alfaguarra

Páginas:  256 p.

Ano: 2015

Formato da leitura: Livro digital

Resumo: França, 2022. Depois de um segundo turno acirrado, as eleições presidenciais são vencidas por Mohammed Ben Abbes, o candidato da Chamada Fraternidade Muçulmana. Carismático e conciliador, Ben Abbes agrupa uma frente democrática ampla. Mas as mudanças sociais, no início imperceptíveis, aos poucos se tornam dramáticas. François é uma acadêmico solitário e desencantado, que espera da vida apenas um pouco de uniformidade. Tomado de surpresa pelo regime islâmico, ele se vê obrigado a lidar com essa nova realidade, cujas consequências – ao contrário do que ele poderia esperar – não serão necessariamente desastrosas. Comparado a 1984, de George Orwell, e a Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, Submissão é uma sátira precisa, devastadora, sobre os valores da nossa própria sociedade. É um dos livros mais impactantes da literatura atual.

 

Opinião: Outro dos livros lidos no ano passado, e que não tive tempo de resenhar.

   O professor de Literatura da Cátedra Francesa, François, já na casa dos cinquenta e poucos anos, solteirão, meio que perdeu o tesão na vida que estava levando; uma insatisfação constante, permeando todas as áreas. Passa a enxergar sua atividade profissional – ele é especialista em uma única obra de um determinado autor, e dá aula disso (não consigo me imaginar numa situação dessa, por mais que eu goste de um livro…) – como uma perda de tempo estafante, para alunos desinteressados. Seus colegas de profissão são todos descritos como fofoqueiros ou decadentes, pessoas com quem ele não quer lidar. Sua vida sexual declina, e ele não consegue mais se satisfazer, nem com as parceiras ocasionais, de idade próxima à sua (e que ele descreve como desesperadas ou sem sal – porque não, né?), nem com as profissionais, muito mais novas; e no fim, nem com a quase-namorada, ex-aluna, em idade de ainda prestar obediência aos pais.

   No meio dessa desilusão com a vida, acompanhamos as mudanças políticas que estão ocorrendo na França. Uma conjuntura de fatores políticos, econômicos e sociais que levaram ao poder o partido Islâmico, pela primeira vez na história do país e da Europa Ocidental. Vemos as consequências dessa troca de lado do poder na vida do próprio François: de início o tom do novo líder é conciliatório; aos poucos a calmaria (que nem era muito calma) dá lugar às depredações, lojas sendo fechadas, Universidades sendo coagidas e transformadas em centros de ensino de fundo religioso (ou, no mínimo, que acatem os padrões religiosos muçulmanos). François decide sair um pouco do burburinho parisiense e se refugiar em algum lugar do interior, enquanto pensa se vale a pena, ou não, apoiar a nova “cara” do governo. Suas experiências de vida, contatas como recordação ou vividas no presente, são o pano de fundo por onde acompanhamos a transformação do país.

   O final, ao menos para mim, era esperado. François é impelido em direção à sua decisão por todo o percurso que já havia transcorrido em sua vida. Mas a questão desse livro não é a surpresa do final, mas a construção da imagem da transformação mundial desencadeada pelos fatos políticos.

   O livro não é um thriller. Não é um livro de ação. Eu não concordo com as comparações ao Huxley, nem ao Orwell, ou nenhum dos conhecidos pelas distopias. Acho muito próximo à realidade política atual, e deve ser lido (na MINHA opinião) como uma crítica ao estado atual dos debates mundiais, a como vemos toda uma religião – em especial, provenientes dos países árabes. Uma cultura muito peculiar, em comparação com a ocidental, e que por isso entra em choque direto com suas características.

   Assim, você pode ler esse livro como uma ficção qualquer, uma leve distopia (para mim, é quase uma previsão – mesmo que não necessariamente na França). Mas se você souber um pouco sobre o contexto histórico e atual situação sociopolítica do lugar, com certeza sua leitura será mais rica; vai ter aqueles estalos de “Ahhhh, então é disso que ele está falando!”; e, na pior das hipóteses, sua breve pesquisa informativa-preparatória vai te deixar menos alienado.

Recomendo. Ainda mais para quem tem o mínimo de noção da política internacional atual.

Título original: Soumission (francês)

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